Muito se fala da falta de ligação em que todos andamos. Apesar de podermos ter milhares de “amigos” nas redes sociais, na vida real sentimo-nos cada vez mais sozinhos. Falta presença. E se isto já é válido para adultos de qualquer idade, torna-se ainda mais preocupante quando falamos de adolescentes e crianças.
Neste dia a dia acelerado, automático e cada vez mais individualista, vai-se perdendo uma capacidade essencial ao nosso bem-estar: a capacidade de estar verdadeiramente com o outro. Pais que dizem já não sabem como chegar aos filhos. Jovens incapazes de se olharem nos olhos e, muitas vezes, incapazes até de se olharem a si próprios. Crianças que multiplicam comportamentos de chamada de atenção na esperança silenciosa de que alguém pare e as veja de verdade.
É urgente recuperar esta capacidade de reconhecer, compreender e respeitar as emoções, as necessidades e as perspetivas dos outros, e também as nossas. É urgente resgatar a empatia.
Hoje em dia, tudo parece ser culpa das novas tecnologias ou da inteligência artificial. Mas, em vez de exteriorizarmos apenas a nossa impotência ou paralisarmos com medo do futuro, talvez possamos escolher agir no presente. E essa ação pode começar em algo aparentemente simples: parar. Parar para olhar nos olhos dos nossos filhos e dizer-lhes o quanto são importantes. Parar para escutar sem pressa. Parar para sermos presença ativa na vida uns dos outros. É nesses pequenos momentos que se desenvolve uma das competências humanas mais importantes para o bem-estar e para a qualidade das relações: a empatia. A capacidade de sentir com o outro, a empatia emocional, e a capacidade de compreender o ponto de vista do outro, a empatia cognitiva. No fundo, perceber que o outro também sente, pensa, reage e carrega as suas próprias batalhas.
Mas essa mudança precisa de começar dentro de cada um de nós. Talvez o primeiro passo seja parar de fugir constantemente do que sentimos. Aceitar as nossas emoções, escutar o que elas nos dizem através do corpo e da mente, e deixar de viver numa corrida permanente onde o tempo parece sempre o grande inimigo. Colocarmo-nos também como prioridade, não num lugar de egoísmo, mas de consciência. Desenvolver a capacidade de nos olharmos com mais compreensão e menos crítica, ter essa empatia de nos aceitarmos como somos, de olhar para o nosso mundo interno sem crítica, para então estarmos disponíveis para os outros.
A empatia não se aprende na teoria. Aprende-se sobretudo na forma como vivemos e nos relacionamos. São os pequenos gestos do quotidiano que mostram às crianças o que significa respeitar o outro. Quando falamos sem humilhar, quando escutamos sem julgar, quando validamos emoções sem necessariamente aceitar todos os comportamentos. Porque empatia também é saber colocar limites. Também é dizer “não” quando isso protege, orienta e ajuda a crescer.
As crianças observam tudo: a forma como reagimos no trânsito, como tratamos quem nos atende, como falamos de outras pessoas. Observam se somos capazes de reconhecer que talvez não saibamos tudo sobre a história do outro antes de o julgarmos. Observam se conseguimos mostrar que, num conflito, podem existir diferentes perspetivas válidas. Entre irmãos, por exemplo, é essencial ajudá-los a perceber que cada um sente a situação à sua maneira e que compreender o outro não significa deixar de existir ou perder razão.
Talvez seja precisamente aqui que a empatia começa: não na necessidade de ter razão, mas na capacidade de continuar disponível para compreender. E no meio de tanta pressa, distração e ruído, talvez a pergunta mais importante seja:
Ainda conseguimos parar o suficiente para ver verdadeiramente quem está à nossa frente?
Como se expressa a empatia?
Será fácil adaptarmo-nos?
O que existe dentro de nós?
Comunicação quê?
Só para aquilo que lhe apetece!
Será tudo demasiado difícil?
Serão as emoções para controlar?
Acredito em mim? E os meus filhos?
Dar ou receber?
Estaremos todos sozinhos?
É possível esticar o tempo?
Podemos parar?
Será que faz sentido?
O que é ser criança?
Onde mora a ansiedade?
Alienação de quê?
Começar por mim
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