29 de Julho, 2025

Podemos parar?  

O que será que torna tão difícil pararmos? E se repararem bem, acontece em diversos sentidos e contextos, não é só em termos do corpo físico mas há muito pior, tal como a dificuldade em parar de pensar, as chamadas ruminações, no que pode acontecer de catastrófico se fizermos algo, e também se não o fizermos, normalmente é sempre negativo, parar de ser pessimista também devia estar aqui incluído, é do que vejo como mais comum na grande maioria dos pais, seja por excesso de preocupação, seja para manterem as expectativas baixas e assim não criar frustração e desilusões.  

Parar de usar o telemóvel, essa já é um clássico, entre o que dizemos aos nossos filhos e o que nós próprios fazemos, não sei quem tem mais dificuldade em parar. Parar de fazer mil coisas ao mesmo tempo, quando é que vamos perceber que isso não funciona? Há uma necessidade de nos sentirmos sempre ocupadas como se isso se traduzisse em produtividade ou eficácia e ao mesmo tempo retirasse o sentimento de culpa que cresce como um monstro com várias pernas e olhos e destrói tudo o que de bom que é feito. Parar de ter medo do que os outros vão pensar ou dizer, que desgaste de energia esse de viver para aparências e têm que, obrigações que colocamos a nós próprios, sem sabermos bem a razão de existirem. Parar de resolver tudo pelos outros e sentir que nada ajuda, uma sensação de impotência e revolta como se a razão tivesse só do nosso lado, quando afinal basta deixar com quem de direito. Parar de arranjar problemas onde afinal podemos ver tanta coisa boa, onde escolhemos olhar é sempre uma opção de cada um. 

No meio da rotina e das tarefas e obrigações, por vezes esta dificuldade passa mais despercebida, mas quando chega a altura de férias, em que não há como escapar, vem tudo ao de cima, uma catadupa de sensações e pensamentos, será que me é mesmo permitido parar? Será que o sei fazer? Mas se paro, faço o quê? E como é que vai ser depois? Entre a pressão profissional, a pressão da própria pessoa misturada com culpa e idealismos de perfeição em que se consegue sempre fazer tudo na perfeição, fica mesmo difícil parar e usufruir desse descanso, de estar, só porque sim, sem pressa nem rumo. 

A verdade é que parar faz parte, é necessário e fundamental ao nosso bem estar e da nossa família, não é um luxo ou uma recompensa por algo, deve fazer parte da nossa vida, e não só nos momentos de férias, mas ao longo do ano, ao longo dos dias. Parar para sentir, para escutar, para desfrutar do momento, para restabelecer energia e cuidar de nós. É nos momentos de tranquilidade que surge o espaço para conversas sem tempo, que dedicamos o nosso olhar a apreciar o que está à nossa volta, que inclusive estimula a criatividade, nada como ficar aborrecido para virem as boas ideias. Parar não é um desperdício, pelo contrário é um viver intensamente cada momento e saborear o que nele acontece.

 

Para este período que se aproxima, deixo-lhe o convite a parar e aproveitar ao máximo a sua família sem pressa para começar ou ansiedade para terminar, apenas estar. Boas férias! 

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