30 de Outubro, 2025

Estaremos todos sozinhos? 

“Já não aguento mais, ninguém me entende” retive este desabafo, entre muitos outros partilhados numa formação que tive o privilégio de moderar. Fez-me questionar até que ponto nos sentimos sozinhos no meio da nossa correria do dia a dia, talvez até rodeados de pessoas, mas todos tão isolados. Que sociedade é esta que nos diz que estamos todos conectados à distância de um click, mas que afinal está cada um na sua bolha a viver a sua realidade, de forma por vezes muito angustiante e infeliz, onde cada um parece carregar o seu próprio peso em silêncio.

A maior parte das mães o que me dizem, são partilhas de desanimo, sentem-se sobrecarregadas nos seus múltiplos papeis e tarefas, sempre com a sensação de falha, porque é impossível chegar a tudo, com a culpa de não terem a vida perfeita, os filhos impecáveis nem de estarem em excelente forma, felizes e sorridentes. Os pais, por seu lado, sentem que não são tidos em conta, tem medo de expressar o que sentem, ou nem sabem como, no outro dia um pai dizia-me “Ainda não consigo perceber isto das emoções, é difícil”. Entre incompreensão, vergonha e pressão, gera-se a ideia de estarem sozinhos a carregar a responsabilidade de todos. Por outro lado os jovens trazem-me sentimentos profundos de incompreensão e falta de um porto seguro, parece que não podem contar com ninguém, tem medo do julgamento dos pais, não os querem desiludir e por isso vão fazendo de conta que está tudo bem, o grupo de amigos mais parece um campo minado, onde estão sempre em alerta para não ficarem mal vistos. Nos mais pequenos o que noto é um afastamento da realidade, muitos deles absorvidos pelos jogos, vídeos e telemóveis, a sentirem-se desconfortáveis em interações sociais, numa fuga constante da realidade.  Se não fosse tão grave, até poderia ser irónico, porque o que oiço é que todos queremos o mesmo, pertencer e viver relações significativas, mas parece que fazemos tudo ao contrário. Cada um, no seu mundo, a tentar dar o melhor de si. E, ainda assim, tão distantes uns dos outros e, muitas vezes, de si mesmo.

A psicologia positiva tem mostrado, através de inúmeras investigações, que as relações interpessoais são o maior fator de bem-estar. Mais do que o sucesso, a aparência ou as conquistas materiais, é a qualidade das nossas relações que mais contribui para uma vida feliz, saudável e significativa. Estudos conduzidos por investigadores como Martin Seligman e Barbara Fredrickson confirmam que as emoções positivas ganham força nas interações humanas: quando nos sentimos vistos, valorizados e compreendidos, o nosso cérebro liberta substâncias que reduzem o stress e aumentam a sensação de segurança e esperança.

Sentirmo-nos sozinhos não significa apenas estar sem companhia.
É, muitas vezes, sentir que ninguém nos entende verdadeiramente. E esta solidão emocional tem crescido, silenciosamente, nas famílias, nas escolas e nas comunidades.
As exigências do dia a dia, o ritmo acelerado e o excesso de estímulos digitais afastam-nos da presença e da escuta. Mas a verdade é que o bem-estar relacional pode ser aprendido e desenvolvido. Como qualquer competência humana, a empatia, a escuta ativa e a capacidade de criar vínculos significativos podem ser treinadas e fortalecidas. Pequenos gestos podem fazer toda a diferença. Por vezes tão simples como parar, desligar dos ecrãs e olhar nos olhos uns dos outros, escutar sem a pressa da resposta pronta, desenvolver a capacidade de acolher sem julgar, estarmos atentos à forma como comunicamos, ao que está nas entrelinhas da nossa linguagem. Sermos capazes de dizer o que precisamos sem medos, nem vergonhas. 

O bem-estar não nasce do isolamento, mas do encontro. Cada vez que nos abrimos à escuta, à partilha e à empatia, estamos a contribuir para o nosso próprio equilíbrio emocional e para o bem-estar coletivo. Cada um de nós pode começar por onde está, na nossa casa, escola e trabalho. Escolhermos estar com os outros, em vez de apenas ao lado uns dos outros. Porque, no final, é na relação que nos tornamos humanos.

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