Muito se tem ouvido falar da falta de empatia, principalmente quando estamos prontos a apontar o dedo em relação aos jovens, essa geração perdida! Parece que nos esquecemos que também já passamos por lá, do difícil que é essa fase da vida, com todo o turbilhão inerente e próprio da idade, não quero com isto desculpar ou justificar ações de violência, crítica ou apatia a que por vezes assistimos e às quais os media dão palco. Mas acredito também ser importante mostrar o outro lado, aquele em que vejo jovens assustadas sem saberem o que esperar da sociedade, ou adolescentes que defendem os seus amigos até ao fim do mundo, ou até aquele grupo que se junta para gerar ideias, para criar soluções para o futuro que desejam.
A empatia aprende-se, e o contrário também. Que exemplo estaremos nós, pais, professores, todos os adultos de referência, a dar? Conseguimo-nos colocar no lugar dos nossos filhos, estamos disponíveis para os ouvir e aceitar que podem ter pontos de vista diferentes? Ou será que somos os primeiros a dizer que nada do que dizem faz sentido, que não fazem nada de jeito, basicamente que estão completamente errados. E como é que eles nos veem a tratar os outros? Será que somos os primeiros a valorizar o trabalho de um professor, ou pelo contrário desmerecemos e criticamos? Como é que nos dirigimos aos nossos colegas de trabalho? Elogiando o seu sucesso, ou invejando o que não conseguimos? E em casa que comportamentos eles veem? De cooperação entre todos ou de competição entre direitos e deveres? Será que existe união ou é cada um por si?
Não podemos exigir aos nossos filhos aquilo que não lhes ensinamos e talvez nem saibamos dar! A empatia acontece na relação, não nos likes dos écrans. No dia a dia e não só nas férias ou dia de aniversário. Acontece quando escutamos o outro, quando percebemos que estamos todos no mesmo nível. A ausência de empatia trás consigo a crítica, essa surge quando me sinto superior, quando me coloco num pedestal de verdades absolutas e num lugar de inflexibilidade. Em que lugar é que me tenho colocado? Será que temos consciência disso nas vária interações que temos ao longo do nosso dia?
Talvez eu devesse trazer aqui mais certezas e fórmulas de empatia do que tantas inquietações, mas a verdade é que é um tema que me desassossega. Sabemos que há uma série de culpados fáceis de identificar, as redes sociais, o imediatismo, a correria que nos é exigida, a falta de apoio, e a lista não acaba. Mas acredito que também é possível encontrar razões, tão válidas como as anteriores, para cultivarmos esta forma de estar connosco e em sociedade, a empatia gera conexão, aproxima-nos e cria emoções positivas, sentimos que pertencemos e somos úteis, que podemos ter um impacto positivo na vida do outro só por estar lá, por ouvir e aceitar o seu ponto de vista, o que não implica que se mude de opinião, apenas aceitar que somos todos diferentes, nem piores nem melhores. Eu vejo estas atitudes todos os dias nas crianças e jovens, que sem filtros, sem preconceitos se entregam e dão o melhor de si. Então talvez deixe aqui essa ideia de experimentarmos olhar para o que de bom acontece, para as ações genuínas de compaixão onde nos colocamos todos no mesmo nível.
Parece fácil descrito assim, sei que a realidade é outra, mas também acredito que é nossa responsabilidade ensinar formas de expressar a empatia, é nossa responsabilidade ter uma palavra simpática, um sorriso ou até quem sabe uma braço, dar o nosso tempo ao que realmente importa. E principalmente só depende de cada um de nós aquilo que priorizamos e a que decidimos dar atenção. Por isso em vez de certezas deixo uma pergunta, ou várias: se eu quero ver empatia no mundo, o que será que depende só de mim ?
Será que faz sentido?
Estaremos todos sozinhos?
Dar ou receber?
Ainda conseguimos olhar para além de?
Comunicação quê?
Só para aquilo que lhe apetece!
Será tudo demasiado difícil?
Serão as emoções para controlar?
Acredito em mim? E os meus filhos?
É possível esticar o tempo?
Será fácil adaptarmo-nos?
Podemos parar?
O que é ser criança?
O que existe dentro de nós?
Onde mora a ansiedade?
Alienação de quê?
Começar por mim
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