Somos Seres Sociais

Um dos motivos que hoje em dia deixa os pais mais preocupados, é a socialização dos seus filhos. Por várias razões diferentes, mas todas têm em comum a dificuldade deles terem e manterem

relações saudáveis entre os pares.
A questão da pandemia e o isolamento a que fomos obrigados é dos primeiros pontos que os pais me trazem. E é facto que os vários confinamentos retiraram a hipótese de socializar presencialmente e com isso todas as aprendizagens implicadas, qualquer que seja a idade. Também é facto que estas circunstâncias apenas exacerbaram uma série de situações que já existiam e que agora tornaram-se ainda mais preocupantes. É por isso fundamental os pais notarem os seus próprios comportamentos, de que forma gerem as suas amizades, o que fazem para fomentar essas relações e as dos seus filhos, pois só assim podemos inverter o ciclo do isolamento.

Outro ponto importante relacionado tanto com a socialização, como também ele aumentado pela pandemia, é o uso excessivo de aparelhos eletrónicos, sejam eles o computador, tablet, telemóvel, para as redes sociais, jogos, séries, o que for. A verdade é que este é um comportamento realmente perigoso, não só em termos sociais como também em termos da própria saúde. Mais uma vez é importante estarmos atentos ao nosso próprio exemplo, quanto tempo eu passo em frente a um ecrã, que regras é que eu talvez precise de colocar para mim mesma, que alternativas eu ofereço ao meu filho que tragam tanto ou mais prazer do que um jogo de computador. Deixar bem claro e definido o que é permitido para todos é o primeiro passo!

Outra situação, infelizmente cada vez mais frequente e em crianças mais novas, são as relações tóxicas, que muitas das vezes também acontecem através das redes sociais. Aquela(e) amiga(o) que obriga a que se faça alguma coisa para que se pertença a um determinado grupo, ou que manipula numa necessidade de atenção e através da vitimização subjuga o outro, relações de dependência extrema que no fundo demonstram uma insegurança e falta de confiança de parte a parte.

Tudo isto acaba por estar interligado à auto imagem que a criança/ jovem tem de si mesma, pois é essa imagem que se vai projetar na relação com o outro. Perceber como os nossos filhos se vêem, ajudar a identificar as suas características como algo mutável que podem sempre desenvolver e não como rótulos e estereótipos que os limitem, é fundamental. Evidenciar as suas forças e como as podem utilizar em ações concretas do dia a dia é outra ferramenta eficaz.

Criar espaço para o diálogo aberto, sem julgamentos, disponível para ajudar a que eles encontrem as suas formas de lidarem com os seus desafios é o que vai permitir que desenvolvam, também eles, relações saudáveis e sustentáveis.

Num contexto cada vez mais virtual é urgente que nós pais demos espaço e tempo para que as relações aconteçam e se desenvolvam num ambiente seguro, afinal de conta somos seres sociais que interagimos num determinado contexto em que estamos inseridos, onde influenciamos e somos influenciados por ele.

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