Novos hábitos na família

O início do ano é propício a fazermos balanços e planos, a criarmos expectativas, definirmos objetivos que queremos alcançar no novo ano. Infelizmente muitos desses planos caem por terra logo no princípio ou vão ficando pelo caminho.

A verdade é que mudar não é fácil, criar novos hábitos dá trabalho e por isso vamos esmorecendo a energia inicial e aceitando como normal que nada de diferente aconteça, é o típico, “já estava à espera”.

E se isto é algo que acontece connosco adultos, mais difícil ainda se torna quando queremos que o comportamento dos nossos filhos mude, que a nossa família evolua. Mas não há nada mais importante do que termos um ambiente familiar saudável, porque quer queiramos ou não ele acaba por influenciar todas as outras esferas da nossa vida!

Para isso deixo-vos o convite de completar a seguinte frase:

Para 2023 eu quero que a minha família…

E para vos ajudar a tornar este objetivo claro, talvez seja importante primeiro tentarem responder a estas questões:

O que correu bem em 2022 e quero levar para o próximo ano?

O que cada um ainda pode melhorar que irá contribuir para a família que desejamos?

Quais são as nossas prioridades?

O que queremos sentir mais, fazer mais, viver mais?

O que nos irá orientar ao longo deste caminho?

Agora que talvez já esteja mais claro aquilo que pretendem para a vossa família no próximo ano, vamos ver o que nos pode ajudar a obter e não desistir perante as dificuldades, esse objetivo que traçaram.

Primeiro de tudo é importante identificar o que nos motiva a querer isso, em detrimento de outras coisas, o porquê de ser importante, talvez algo que esteja alinhado com os nossos valores, ou alguma necessidade que precisamos que seja colmatada, e ainda ter claro o que se vai ganhar quando se chegar lá, quais os benefícios e ganhos para todos e cada um.

Depois é importante identificar as forças de cada um e como vão ser usadas em ações concretas que vão ajudar a chegar um pouco mais perto do que se almeja. Caso faltem competências que considerem fundamentais, como as podem adquirir ou desenvolver.

E por último e talvez o mais importante: é tudo uma questão de atitude, enfrentar os nossos desafios de forma positiva e acreditar que é possível mesmo perante os obstáculos é fundamental para chegarmos a bom porto!

Vamos ver este passo a passo em algo concreto, imaginem que o que pretendem para 2023 é terem tempo de qualidade em família, talvez a motivação para uns seja um maior equilíbrio entre trabalho e família, para outros seja uma necessidade de dar o seu melhor e outros sejam motivados pela diversão e lazer. Para que consigam alcançar vão usar as competências da paciência de uns, da organização de outros, da criatividade e iniciativa e talvez sintam que é necessário desenvolver a gestão do tempo e o auto controlo. Para isso estabelecem pequenas tarefas para cada um em que usam ou aprendem essas habilidades. E tudo isto só é possível porque foi incutida uma atitude positiva que acredita em cada um e no que irão conquistar em conjunto.

“A felicidade não é a crença de que não precisamos de mudar;
É a constatação de que podemos fazê-lo”
Shawn Achor

Espírito Natalício, como manter

Chegámos ao último mês do ano, é um misto de situações e sentimentos que nos vão empurrando entre ansiedades e esperança. Se por um lado andamos numa correria entre prendas, preparativos e festas de Natal, por outro fazemos um balanço, nem sempre tão positivo quanto o desejávamos, do ano que está a acabar, depositando todas as nossas esperanças no que está para vir.

Mais do que passar por este mês 

a correr à espera do dia de Natal ou do fim-do-ano, podemos aproveitar da melhor maneira para que fiquem boas memórias. O que acreditam que podem fazer para se ser autêntico, o que faz os nossos dias serem autênticos?

Talvez esse seja o balanço mais importante, o de percebermos se estamos a viver os nossos dias de forma verdadeira e como é que passamos isso aos nossos filhos. Aquilo que faço, é aquilo que digo? Sou congruente comigo mesma e com os meus filhos? Ando-me a enganar para não ter de tomar uma atitude, talvez por medo, preguiça, insegurança, e assim vamos adiando as pequenas mudanças que sabemos necessárias e ao mesmo tempo tão difíceis de colocar em prática. Ou por outro lado sentimos que este mês tudo é possível e esmorecemos assim que passam as festas.

Atribuímos todas estas mudanças ao espírito natalício, às luzes, à azafama com cheirinho a bolo-rei, à alegria, às músicas e sorrisos que trocamos uns com os outros. Por incrível que pareça há uma área do nosso cérebro que é ativada com estas manifestações e desperta o espírito natalício em nós, quando deixamos de ter esses estímulos o espírito esmorece e voltamos ao hábito antigo. Então o que será que nos pode ajudar a manter?

Acredito que é irmos um pouco mais a fundo e procurar as nossas bases, aquilo que nos sustém, sobre o qual construímos a nossa família, ou seja, os nossos valores. São raras as vezes que paramos para pensar quais são, e principalmente como os vivemos no nosso dia-a-dia.

Poderão ser Respeito, União, Alegria, Honestidade, Partilha, entre outros tantos, não há uns melhores que outros, o importante é ter consciência que valores meus eu transporto para a minha família, e quais é que escolhemos em conjunto e sobre esses vamos construindo o que de mais precioso temos. Com essa base em mente é possível então escolher que comportamentos queremos e de que forma vão estar alinhados e serem verdadeiros com aquilo que acreditamos, pensamos e sentimos.

Esta honestidade para connosco próprios é o primeiro passo para mantermos o espírito Natalício se por isso se entender o espírito da verdade, da partilha genuína, da gratidão, do altruísmo da alegria.

Que não seja só mais uma época que passa, mas que deixe a sua marca, que nos ajude a crescer enquanto família, enquanto pessoas, que traga o melhor de cada um e que seja para ficar. Desejo acima de tudo muita Paz, porque quando vem de dentro, quando estamos em Paz conseguimos espalhá-la à nossa volta. Boas festas!

Relações familiares – o que quero construir?

É-nos passada a ideia de que é suposto saber lidar com as relações na nossa família, que é algo que já se nasce ensinado. Infelizmente nada mais longe da verdade, mas como é suposto todos sabermos, não nos dispomos a aprender, muitas das vezes só conseguimos ver que os outros estão errados!

O grande erro, porém, começa quando nos colocamos neste lugar de espectadores à espera que os outros mudem e alterem

a sua maneira de pensar e agir, e isto é válido para qualquer relação, com os nossos filhos, parceiros, pais, amigos e até connosco próprios.

A primeira coisa que acredito ser importante ter consciência é: para onde eu tenho escolhido olhar? Para o que está bem com o meu filho e os seus pontos fortes, ou para aquilo que não funciona e ele faz mal? Para onde eu coloco o meu foco é para onde eu me dirijo, o nosso cérebro leva-nos para onde estamos a pensar, mais ainda, faz-nos ter comportamentos que levam os outros a dar respostas que vão de encontro ao que nós esperamos! Ou seja, se eu acredito que o meu filho não gosta da escola, de estudar e não tem boas notas, eu só vou conseguir focar-me nas más notas que ele tenha, mesmo que pelo meio venha um comentário positivo de algum professor, eu só vou dar atenção aos momentos em que ele não estuda, mesmo que ele se tenha esforçado por 5m. Para além disso toda a minha comunicação, postura e comportamentos vão reforçar essa ideia, talvez eu diga “Já estava à espera desta nota, não te vi a estudar nada!” ou faça um ar de descrédito quando ele diz que vai fazer os trabalhos, ou desconfie e vá certificar-me se está a estudar ou não. Tudo é em função do foco que eu decido ter. Mas então se é uma opção nossa, porquê focar no que é negativo, naquilo que não queremos que aconteça? Há várias razões que nos levam a ter esta mentalidade negativa, é quase um comportamento automático, seja por razões culturais, de educação, de que é mais fácil, entre muitas outras. Por isso acredito que o primeiro passo é a consciência do modo de pensar e operar que mais usamos com os nossos filhos, porque agora perante tudo isto e mesmo sabendo que há razões que até podem justificar e nos levar a agir desta forma, agora, podemos escolher. Escolher o foco que queremos ter para com os nossos filhos, qual o foco que queremos que eles aprendam e qual é que escolhemos na relação que estamos a desenvolver com eles.

O outro ponto fundamental é a diferença entre expectativas e objetivos. Normalmente o que fazemos em relação a tudo, e principalmente em relação aos nossos filhos é ter expectativas, é imaginar o que desejamos que aconteça e quando o fazemos, colocamo-nos a nós num lugar passivo, de espectadores, e a eles num papel quase impossível de atingir, que é terem a responsabilidade de chegarem ao que nós pais desejamos, às nossas expectativas. O que gera frustração, ansiedade e até raiva para ambas as partes. Então em vez de colocar expectativas podemos experimentar colocar objetivos, o que nos obriga a saber o que queremos, obriga a mudar o foco para o que realmente é importante e que eu quero que aconteça. A partir do momento em que fazemos esta mudança, tornamo-nos ativos, passamos a agir em vez de estar à espera que aconteça. É sermos responsáveis pelo que desejamos da relação com os nossos filhos.

Deixo agora ficar essa responsabilidade (e que bom podermos ser responsáveis pelas nossas escolhas) para onde escolhe direcionar o seu olhar, que relação quer construir com o seu filho?

Métodos de Estudo

Uma das grandes preocupações dos pais nos dias de hoje é a falta de metodologia dos filhos quer em termos de organização das tarefas da escola, quer do próprio estudo.

A verdade é que a grande maioria das escolas exige mas não dá as ferramentas para que tenham o maior aproveitamento possível. Vemos muitas das vezes um acompanhamento presente durante o 1º ciclo e quando chegam ao 5º ano e lhes falta

essa “muleta” sentem-se perdidos, com as consequências que daí advém: falta de motivação, desinteresse, resultados aquém das expectativas.

Esta realidade acontece porque infelizmente em vez de lhes passarmos técnicas e metodologias, vamos fazendo por eles, quer em casa, quer até na escola. Ou porque é mais rápido e mais simples, a curto prazo, quer por falta até de conhecimento dessas ferramentas e por isso acabamos por transmitir da mesma forma que sempre fizemos e sabemos. Os resultados que obtemos são crianças dependentes, sem autonomia ou iniciativa, sem conseguirem imaginar que pode haver várias maneiras de abordar a mesma questão o que traz a desmotivação e desinteresse pela escola.

Primeiro acho fundamental não distinguir entre trabalho e prazer e sim agregar, parece-lhe estranho? Pode ser tão simples como perguntar aos nossos filhos / alunos de que forma podem fazer os trabalhos de forma divertida? Como gostariam de os fazer?

E nós? Como podemos tornar o nosso trabalho prazeroso? Os trabalhos não precisam de ser pesados e penosos e sim uma fonte de prazer que nos leve ao gosto pela aprendizagem.

Depois é importante perceber de que forma os nossos filhos absorvem conhecimento, através de simples sinais:

Será que é uma criança que precisa de estar sempre a movimentar-se? Estar sentado é uma tortura? Talvez estudar em pé, escrevendo num quadro, ou por períodos mais pequenos com pausas a intercalar possa ser uma hipótese.

Ou será que está sempre a cantar ou a falar pelos cotovelos? Quem sabe dizer alto a matéria como se estivesse a dar uma aula, ou estudar com música possa ajudar.

Ou por outro lado é aquela criança que se distrai com tudo e tem uma grande imaginação? Nada como estudar através de imagens ou fazer desenhos para ajudar na concentração.

Também nós pais e professores podemos mudar o nosso olhar e em vez de vermos como fraquezas ou problemas, potenciar aquilo que eles têm como apetência e naturalmente lhes é mais fácil e desenvolver para que se tornem forças mas usadas de forma intencional.

Podemos então, de forma prática, auxiliar com várias metodologias de estudo, não as colocar como algo imposto e sim como opções que podem escolher.

Felizmente já há muita informação à nossa disposição, apenas a título de exemplo deixar-vos as mais importantes que podem explorar e começar a aplicar desde já:

  • Técnica do Pomodoro
  • Lista de tarefas com priorização
  • Planeamento do dia seguinte
  • Picture Walk
  • Recall
  • Flash Cards
  • Mind Maps
  • Entre outras.

Ninguém sabe à partida a forma mais efetiva de estudo, sem experimentar várias técnicas, e por isso nós pais e professores temos a função de lhes mostrar o que existe, permitir que explorem e encontrem por tentativa e erro o que melhor encaixa naquele momento para o seu perfil.

Lembrem-se a escola não precisa de ser uma “seca”, afinal passam lá a maior parte do dia, vamos aproveitar ao máximo?!

Mentalidade de crescimento

Há um tema que tenho vindo a trabalhar cada vez mais com os “meus” jovens, e por isso vejo o sentido de urgência de começar o mais cedo possível na infância e de até desenvolver nos pais.

Acredito que este regresso às rotinas e com elas também aos stresses e desafios diários pode ser uma excelente oportunidade para desenvolvermos, enquanto família, um mindset de crescimento. Pois se a atitude mental é apenas uma crença, em que é que escolhemos acreditar?

E é sobre atitude mental que vos quero falar, a forma como cada um enfrenta os seus problemas e lida com os seus fracassos é a chave crucial para o sucesso. A ideia que os nossos erros são uma dádiva é algo difícil numa sociedade onde o erro ainda é muitas das vezes visto como algo vergonhoso e que deve ser punido. A ideia de que errar é mau é-nos incutido desde cedo. É cultural e tem vindo a passar de geração em geração. Infelizmente ainda é muito visto como algo de que nos devemos culpabilizar e que até deve ser castigado. Mas será?

Não sei quanto a vocês, mas eu não conheço ninguém que já saiba tudo ou nunca tenha errado e tenho para mim que é em casa, o local seguro por excelência, onde podemos errar para aprender, sendo a escola o prolongamento desse espaço seguro e com o objetivo principal de ensinar, sempre achei que seria também ela, o local ideal para errar, pois só assim aprendemos, não só as matérias mas também como pessoas.

Sinto como urgente mudar esta mentalidade, talvez até seja mesmo o ponto de partida para gerar novamente a motivação pela aprendizagem, algo que tantos dizem como perdida.

Para isso é essencial acreditar que todos têm as capacidades e as podem desenvolver, através do esforço e empenho intencional que nos permite progredir a assim gerar auto motivação.

Ao potenciarmos o melhor de cada um estamos a permitir que todos contribuam e se sintam parte do grupo, isso é possível nas pequenas situações do dia-a-dia e nos grandes desafios.

Perante uma dada situação podemos perguntar aos nossos filhos/ alunos:

“Para este trabalho/tarefa qual vai ser a tua contribuição?”

“Que forças/ capacidades vais usar?”

“Como o vais fazer?”

Ao longo do percurso faz toda a diferença sublinhar o empenho e o esforço, ajuda a manter a motivação e reforçar a ideia de que mais importante que o resultado final é a forma como nos colocamos perante um desafio.

Para isso nós, pais, professores e educadores devemos estar abertos para aceitar um resultado que não seja perfeito ou conforme as nossas expectativas, aceitar que podem ter um tempo diferente do nosso, ajudá-los a descobrir novos caminhos e desfrutar desse percurso, a se entusiasmarem perante os desafios. Em vez de julgar podemos ensinar, pois tudo é um processo de aprendizagem.

A mentalidade de crescimento é algo que se cultiva e principalmente se mostra pelo exemplo, deixo-lhe a questão: Que tipo de mentalidade tem cultivado dentro de si e na sua família?