O impacto da quarentena nos mais novos!

Muito se tem falado no impacto imediato e a longo prazo que esta quarentena nos tem causado, seja a nível das empresas, do trabalho de forma geral, das escolas, das famílias e claro está da saúde entre muitos outros campos!!!

Mas e nas nossas crianças??  A reação imediata é que é péssimo, gera insegurança, medo, o isolamento traz irritabilidade, desinteresse, distanciamento do grupo de amigos, menos exercício físico… Mas das crianças e jovens que acompanho e que vou vivenciando pelos meus filhos e os seus amigos, é que basicamente a quarentena para eles é uma “seca”!

Claro que toda esta situação atinge os mais novos, mas o como, já depende em grande parte de nós adultos, é óbvio que esta nova realidade não é boa para ninguém, mas a forma como a encaramos a forma como decidimos vivê-la e como queremos que os nossos filhos a vivam está diretamente ligada à forma como nós pais, responsáveis ou cuidadores gerimos toda esta nova realidade.

O que tenho assistido é que eles reagem de uma forma muito mais tranquila a tudo isto, muito mais do que nós adultos. A verdade é que para eles a utilização de vídeo chamadas, aulas on-line, não é novidade, talvez antes os pais não deixassem estar tanto tempo em frente aos écrans e por isso agora nem é mau de todo!

Para muitos o facto de estarem mais tempo com os pais e poderem fazer mais atividades até tem sido benéfico. Têm experimentado coisas que nunca tinham tentado, uns fazem bolos ou até o jantar, jogos diferentes de tabuleiro, aulas de ginástica em família ou até meditação. As possibilidades são imensas e a oferta também.

Claro que em algumas situações as crianças estão com medo que um parente, nomeadamente os avós, adoeça, ou sentem-se inseguros de sair à rua, surgem questões sobre a morte e os medos associados, e naturalmente têm saudades da família que não vive com eles, dos amigos e de brincar livremente. Ou crianças em que os pais são profissionais de saúde e vivem mais de perto o risco. Tudo isto são realidades que acontecem em muitas casas, e nestas ainda é mais importante ajudar as crianças a perceber que sentimentos tudo isto gera, é importante fazê-los perceber que a única responsabilidade que devem ter é com as suas atitudes, ou seja o que podem eles fazer para se sentirem mais seguros, ou para terem atividades que gostam, o que depende apenas deles e que se fizerem pode melhorar a situação!

A forma de eles reagirem depende em grande parte da forma como os pais estão a reagir, eles vão-nos espelhar, modelar as nossas atitudes e aqui é fundamental estarmos atentos se o que dizemos é congruente com o que sentimos, eles pressentem quando não bate certo.

É importante que os pais sejam claros e não escondam informação, não quero com isto dizer bombardear os nossos filhos com os problemas, nada disso, mas sim explicar, adequando à idade de cada um, o que se está a passar e como nós, pais nos sentimos perante isso.

A forma como esta situação atinge as crianças depende em grande parte da forma como deixamos que ela nos afete e principalmente como vamos lidar com ela.

Eu acredito que em todas as situações há algo de bom que podemos retirar, há um desafio para enfrentar e não existe maneira melhor de ensinar os nossos filhos se não pelo exemplo.

Sendo assim que exemplo queremos ser para eles nesta situação de quarentena, que marca queremos deixar, que marca queremos com que eles fiquem?

Podemos aproveitar esta situação para os ajudar a lidar com a frustração, a criarem resiliência, a serem criativos e encontrarem novas formas de fazer as coisas e coisas novas para fazer, intensificar a união da família e a sua capacidade de se auto regularem.

Por isso sim, esta pode ser uma excelente oportunidade para fortalecer os mais novos para o futuro, pode e deve ser encarado de forma a retirarmos o maior partido do que se está a viver.

Qualquer pessoa cresce e aprende mais com os erros com a adversidade. Para que todo este sacrífico não seja em vão vamos olhar para o que é preciso mudar. E para o que cada um individualmente pode fazer, esse é um olhar que podemos ensinar os nossos filhos a ter, o olhar da responsabilidade perante como me quero sentir diante desta situação, da responsabilidade do que depende de mim para me sentir bem.

Para que as marcas de toda este panorama sejam o mais positivas possíveis e para que sirva para fortalecer para o futuro nós pais, podemos para além de dar o exemplo usar algumas estratégias simples:

Primeiro de tudo ajude as suas crianças a expressarem-se sobre o que sentem, sem minimizar, sem ridicularizar acolhendo e aceitando. Este momento pode ser mais difícil do que parece pois não estamos habituados a expressar os nossos sentimentos, normalmente isso é visto como uma fraqueza, mas é um passo fundamental para podermos agir na direção do que queremos. Também nós pais estamos habituados a tentar resolver por eles, a dar-lhes uma solução de imediato, infelizmente esta situação não tem uma solução e muito menos imediata, vamos permitir que cada criança encontre a sua forma de lidar com o problema, que ela própria diga as estratégias que serão úteis.

Podemos fazê-lo estimulando a que eles encontrem dentro deles as respostas, ou seja perguntar em vez de afirmar:

Como é que te queres sentir?

O que podes fazer para te sentires dessa forma?

 O que depende só de ti e que se fizesses iria fazer toda a diferença?

Que mais poderias propor?

Como vais organizar os teus estudos?

Como poderás ajudar nas tarefas da casa?

O que gostarias de fazer de diferente?

Ou seja quando perguntamos aos mais novos o como, primeiro de tudo estamos a passar uma mensagem, que não é expressa, mas é entendida por eles da seguinte forma:

“Eu acredito em ti e por isso te pergunto e peço a tua contribuição, em vez de mandar e dizer-te o que deves fazer”

Como tal estamos a estimular a autonomia, a criatividade, e quando permitimos que eles coloquem em ação o que propuseram isso gera compromisso, confiança e auto estima.

Perante as respostas dos mais novos, valorize, valorize, valorize, mesmo que não seja possível fazer, mas o facto de se expressar e contribuir já é um passo enorme e de verdade eles trazem soluções incríveis.

Sendo viável para toda a família, implemente a ideia do seu filho, quando são eles a dar a resposta o nível de compromisso e empenho é enorme, gera sentido de responsabilidade porque sentem que não podem desiludir, afinal de contas foram eles que propuseram. E sendo bem sucedidos a auto estima aumenta, assim como a confiança neles próprios e gera a ideia de que são capazes.

Esta estratégia é válida para tudo, para criar as novas rotinas, para os novos métodos de estudo, para estabelecer limites e perceber que os pais também tem de continuar a trabalhar apesar de estarem em casa, para as tarefas de casa, para as relações entre irmãos, e principalmente para aprenderem a lidar com problemas tão graves e inesperados como a situação atual. Para que percebam que podem ter medo, podem estar assustados, podem até estar fartos e irritados de estar em casa, mas que só depende deles mudarem as suas atitudes para terem resultados diferentes para sentirem de maneira diferente, independentemente do contexto, independentemente da idade. Sim as crianças já tem capacidade de alcançarem as suas próprias soluções , só precisam que acreditem nelas!

Apoie os mais novos através do exemplo, através das suas atitudes, sem esconder, sem mentir, com sinceridade e assertividade e dê espaço para que também eles contribuam para o bem estar de toda a família.

Mas afinal o que é realmente o Dia do Pai?

Por vezes esquecemos-nos da verdadeira essência que deveria ter este dia, o de celebração pela figura paternal, por tudo o que ela nos entrega, pela protecção, pelo carinho, pelo amor incondicional, pela segurança, pelas regras e limites, por nos mostrar o caminho e ao mesmo tempo deixar-nos ir por onde queremos.

É difícil ser pai nos dias de hoje?! Não sei… há mais desafios, situações desconhecidas, situações novas que surgem todos os dias, uma maior incerteza quanto ao futuro deles.

Por outro lado há uma relação mais próxima, uma cumplicidade maior, uma demonstração maior desse amor.

Falo a partir da minha posição de mãe, em que acredito que o papel de pai é enorme, não cabe numa definição, ele tem lugar em todos os abraços dados, nos sermões intermináveis, cabe nos beijos e nos olhares de desaprovação, tem lugar no colo e nas obrigações, existe num acordar com pequeno almoço a cheirar a panquecas e nos conselhos para a vida.

O Pai é o porto seguro, é a rede de segurança que nos deixa sonhar, que acredita verdadeiramente no que cada filho pode dar. Que está lá a aplaudir de pé e que nos conforta quando caímos.

Esta é a minha realidade com o meu pai, esta é a realidade que vejo todos os dias a acontecer com o Pai das minhas filhas, por isso estou grata hoje Dia do Pai e todos os dias!

Feliz dia a todos os Pais.

Pensamos o que educamos?

Quanto mais oiço os pais a falar, mais me apercebo que muitas das ideias, das frases feitas, que dizemos aos nossos filhos, nem sequer pensamos!

Aceitamos como verdades absolutas e nem nos damos ao trabalho de questionar se faz sentido! E porquê? Não sei… talvez por serem coisas que ouvimos dizer desde sempre, são expressões que vem dos nossos pais, dos nossos avós, ou porque não temos sequer a disponibilidade de tempo e mental para o fazer, de tão cansados que já andamos com os “simples” desafios do dia a dia! Ou até porque, quando ousamos fazê-lo, nos sentimos culpados, quais traidores das tradições!

Esta questão das frases feitas já me tem vindo a chamar a atenção por outras situações que oportunamente irei partilhar, mas no outro dia, houve uma em particular, que de tão simples e tão “normal”, achei que devia pelo menos trazer o tema para refletirmos.

Estava eu a fazer calmamente as compras de supermercado, sem crianças, o calmamente já o pressupõe, quando assisto a uma mãe visivelmente com pressa a dirigir-se para as caixas self-service e o filho, talvez dos seus 4, 5 anos implorava-lhe para levar só um brinquedo. Até aqui tudo normal. A mãe lá disse-lhe que não podia ser e, como não surtia efeito, acabou por sair-lhe algo do género “…mas tu não vês que isso é um brinquedo de menina?! Que disparate, nem te atrevas a trazer isso!” Estamos a falar de um conjunto de loiças de chá!

Indignou-me como é que, numa época como a nossa, ainda se colocam estas barreiras que uns brinquedos são de menina, e outros de menino. Mas quem é que institui isso? Quem tem o poder para dizer que uma menina só tem de gostar de rosa e brincar com bonecas? Ou, pelo contrário, um menino não pode andar no ballet? Por mais que se diga que temos uma mente aberta, infelizmente estes vieses ainda se mantêm, e muitas vezes de forma inconsciente, nem pensamos porque dizemos o que dizemos! Qual é o mal? Ou parece mal????

São atitudes e frases como estas que carregamos da nossa educação, mas será que ainda fazem sentido? Até quando devemos perpetuar estes dogmas e passá-los aos nossos filhos?

O que será que representa, que é assim uma afronta tão grande para ser um disparate?

A verdade é que todos nós, de uma forma mais ou menos aberta, praticamos estas verdades absolutas sem dar-nos conta pois, me parece importante, pelo menos tentarmos perceber o que está por detrás daquilo que estou a fazer ou dizer aos meus filhos. O que é que quero passar? Serão ideias fixas ou será ajudá-los a ter uma mentalidade de crescimento e de flexibilidade? O que é que ganhamos com uma e com outra?

Esta situação fez-me pensar em tudo isto, mas no final acho que aquela mãe só queria mesmo despachar-se e estava cansada e queria tudo menos estar no final de um dia ainda às compras. Aquela frase foi apenas a primeira coisa que lhe saiu na ideia de ser o mais eficaz possível e irem embora!

Mas então pergunto-vos, numa situação destas, como podemos pensar o que estamos a educar, qual a mensagem que lhes passamos?!

Transformar o dia-a-dia da família!

Happy young family having fun at home

Venho-vos convidar a experienciarem o Coaching infantil e juvenil nas vossas vidas.

É um ponto sem retorno onde percebemos como pode ser fácil e gratificante esta viagem parental.

O meu interesse por esta área surgiu de uma necessidade: da necessidade de saber lidar com os meus filhos no dia-a-dia de forma harmoniosa, clara e sem conflitos constantes.

Com o Coaching Infanto-Juvenil eu aprendi a lidar com as birras, as frustrações, os medos de dormir e tanto mais! Descobri novas formas de comunicar com cada um e principalmente descobri que a “culpa” é um peso demasiado forte, que ninguém deveria carregar, nem pais nem filhos.

Em vez disso podia me responsabilizar pelas minhas escolhas, pelas minhas decisões e saber que a maneira como eu encaro o que se me apresenta faz toda a diferença.

Dar esse poder da responsabilidade aos meus filhos é algo transformador e maravilhoso. Ganham auto estima, confiança, sentido de pertença, autonomia, capacidade de ouvirem e serem escutados.

A comunicação é tudo dentro de uma família, uma comunicação eficaz, assertiva e consciente é a base, é o ponto de partida para relações saudáveis.

Vivemos uma época acelerada, em que acreditamos que não há tempo para nada e entramos numa espiral de rotinas e obrigações, sem tempo para apreciar, desfrutar de nós, dos nossos filhos, onde tudo tem de estar perfeito e ser imediato.

Essa foi a realidade que eu tinha criado! E depois há aquele momento, onde começamos a questionar, mas questionamos o porquê, tentamos descobrir o que causou tudo isso, como fomos parar a este ponto?

Quando a única pergunta que deve ser feita é: o que é que eu quero em vez disso? E mais importante ainda é: o que é que eu vou fazer para lá chegar?  O entendimento da responsabilidade das nossas acções é algo que empodera, dá-nos força e confiança.

Se isto é algo maravilhoso connosco próprios imaginem o grandioso que será dar esta ferramenta, o poder da responsabilidade, a uma criança, aos nossos filhos!

Não é magia, nem tão pouco feitiçaria, mas apenas resgatar a capacidade de decisão, a capacidade criativa de busca de novas soluções, a confiança, a capacidade de acreditar em si mesmo, é voltar a sentir que importa, que o que se faz tem impacto que o que se diz é ouvido.

Cada um de nós, cada criança é única e maravilhosa por isso.

O que desejamos para os nossos filhos?

Ainda no rescaldo dos desejos para o novo ano, tentei imaginar o que os pais desejaram para os seus filhos.

Acredito que todos os pais, para além de outras coisas, desejam principalmente que os seus filhos sejam felizes.

Pareceu-me óbvio, mas depois coloca-se outra questão, o que é isso de serem felizes? Para alguns felicidade será realização profissional, ter uma boa carreira, para outros terem uma família harmoniosa, talvez terem bastante dinheiro, serem pessoas viajadas com muitas experiências para contar, talvez seja estarem em paz consigo mesmos ou serem artistas reconhecidos… Calculo que seja uma mistura de todos estes ingredientes com mais uma pitada de sal!

Mas neste ponto peço-vos para pararem para pensar, se tudo isso, que para cada um de vocês é a receita da felicidade, será também para o vosso(a) filho(a)?

Ou seja, todos nós tendemos, de forma inconsciente, a projectar nos nossos filhos os nossos sonhos, ambições e frustrações, quase como se tivéssemos uma segunda oportunidade para remendarmos o que gostaríamos que tivesse acontecido e esquecemo-nos que eles têm direito de viver a própria vida sem amarras ou projecções que são nossas.

Por isso é importante distinguir e ter consciência do que é a felicidade para cada um de nós, o que desejamos para os nossos filhos e principalmente saber questionar, ouvir e aceitar o que é felicidade para eles.

Só com base numa relação sem julgamento e em que acreditamos verdadeiramente nas nossas crianças é que os podemos ajudar a encontrar a sua própria felicidade!