Dia internacional da família

A convivência em tempos de coronavírus

Nunca passamos tanto tempo junto da família como agora. Esta quarentena “obrigou-nos” a partilhar com os nossos, o mesmo espaço 24 sobre 24 horas, com tudo o que isso possa trazer de bom e de mau.

Ironicamente, também nunca estivemos tanto tempo afastados da nossa “outra” família, com o impacto enorme que isso tem em todos nós e em especial nos nossos filhos.

Esta proximidade e afastamento extremos provoca sentimentos que é importante ensinar as crianças a lidarem.

O que fazer?

É fundamental identificar a estrutura entre os vários membros dessa família, o que os une e o que os separa, ou seja o que nos sustenta, quais os nossos valores enquanto conjunto de seres únicos, para que também os possamos passar de forma clara para os nossos filhos.

E com isso bem claro, podemos estabelecer as nossas prioridades, será que temos disponibilizado o nosso esforço e dedicação ao que realmente importa?

Tempos de grandes desafios, como este, são de extrema riqueza para nos desenvolvermos, para aprender e procurar novas atitudes. Será que temos usufruído de toda essa possibilidade de crescimento?

Redescobrir a essência da família

Convido-vos a parar por um instante e deixarem de correr atrás dos medos e imprevistos que surgem diariamente, congelarem por breves momentos os problemas com o tele trabalho e o home schooling, a pausarem as tarefas de casa e as refeições sem fim.

Nessa pausa (re)descubram o que faz a vossa família vibrar, o que vos dá alento, quais os sonhos que perseguem, se são para todos e para quê.

Em conjunto deslumbrem-se com a riqueza da essência que está no cerne da vossa família e vivam-na com toda a intensidade.

Feliz dia da família!!!

Dia da Mãe

Children give mother flowers. Family at home. Mothers day

A nossa viagem enquanto mães, é uma queda livre constante! Ás vezes adoramos a sensação, outras entramos em pânico.

Por mais cursos de preparação que se faça, por mais que as nossas amigas nos digam, e a nossa mãe nos aconselhe, nada mas mesmo nada, nos prepara para o turbilhão de EMOÇÕES e sentimentos que se geram simultaneamente e, como “máquina de lavar roupa”, se misturam todas cá dentro. Não há uma aviso prévio, apenas somos inundados ora por uma felicidade imensa, por incertezas e ataques de culpa, ora por raiva e frustração, inocência e carinho e tantas mais que se debatem dentro de nós!

Mas uma coisa não tenho dúvida, o AMOR que sentimos por aquele ser indefeso, assim que está dentro de nós, e que, como por magia, cresce mais e mais todos os dias, não havendo limite, é o que nos dá força para aguentar noites sem dormir, choros intermináveis, birras, aparentemente sem sentido, guerras entre irmãos, lutas para estudar, para comer e tomar banho, é o que permite ao nosso coração aceitar que eles prefiram estar com os amigos, o primeiro namoro, as saídas à noite e as loucuras daquele pequeno “adulto” em construção. É esse amor maior do que nós, que nos dá força para os deixar ir, viverem as suas vidas, e construírem as suas próprias famílias.

É esse amor que transborda, que nos faz sorrir quando, seja qual for a idade, vamos dar um beijo de boa noite, e na tranquilidade do sono, nos orgulhamos de tudo o que já crescemos, eles e nós.

Obrigada à minha mãe por me ter ensinado tanto e por me ter deixado voar, obrigada aos meus filhos por me ajudarem todos os dias a querer ser melhor e a ver o melhor em cada um!

Feliz Dia da Mãe!

Desenvolver Competências para a Quarentena / Vida.

Se houve alguma coisa que esta pandemia nos trouxe foi a certeza de que temos de ser flexíveis, já muito se sabia que essa era uma habilidade fundamental, nas empresas, nos líderes e gestores de equipas. Mas agora ela teve de ser rapidamente incorporada nas famílias, e é fundamental desenvolver essa competência a nível pessoal e quanto mais cedo a ensinarmos, mais fácil se torna de a colocar em prática.

Muitas das vezes flexibilidade é confundida com falta de assertividade, ou até pensamos que são pessoas que não sabem o que querem, que não defendem o que acreditam, pessoas que andam ao sabor do vento.

Mas tão importante como defender o que acreditamos é saber quando temos de nos adaptar às mudanças que acontecem à nossa volta, se o contexto se altera, se as premissas mudam então porquê manter o mesmo pensamento a mesma posição, a isto chamamos a diferença entre Fixed Mindset x Growth Mindset, se quisermos traduzir à letra temos: mente rígida x mente de crescimento, por qual vocês querem optar?

O que ganhamos então em desenvolver uma Growth Mindset? Em desenvolvermos a nossa flexibilidade? Acima de tudo capacidade de adaptação, capacidade de dar a melhor resposta às mudanças, e que essa resposta seja rápida, ou seja torna as mudanças prazerosas e vistas como um desafio em vez de dolorosas e limitantes.

Este tempo de quarentena, obrigou-nos, como famílias a reinventar o nosso dia-a-dia e o mais desafiante, é que não foi só no início, mas tem sido uma constante, exatamente porque as nossas necessidades também vão alterando e com um nível acrescido de dificuldade que é o de não haver qualquer previsibilidade no que vai acontecer!

Ora se no início os pais me perguntavam pelo que fazer com os filhos em casa, precisavam de atividades que entretecem as suas crianças (entenda-se filhos e pais), pois nenhum deles sabia o que fazer com todo aquele tempo.

Seguiu-se o caos em conciliar o teletrabalho estando todos em casa 24h sobre 24h e ainda somar todas as tarefas de casa e refeições. E a catástrofe foi quando começaram as aulas, em que os pais agora tinham de trabalhar em casa, cuidar de todas as tarefas, ser informáticos, conseguirem em tempo útil aceder às várias plataformas e metodologias com que cada escola e professor se organizam e como muitos me dizem, ainda serem professores!!

É com todos estes ingredientes que vejo famílias em stress, desesperadas e sem saberem como lidar.

O primeiro ponto fundamental a ter em conta é: se tudo mudou então porque é que continuamos a fazer da mesma forma? Ou porque é que queremos fazer tudo e cumprir todas as tarefas e papeis? Esta pressão é colocada por quem?

É importante parar para refletir, qual o nosso papel enquanto Pais, o que queremos transmitir e ensinar aos nossos filhos?

E cada família irá encontrar o que lhe faz sentido, não há fórmulas exatas nem soluções fechadas, não há certo nem errado, mas sim o que é verdadeiro dentro de cada casa. Antes de entrarem no automático pensem que quero eu adquirir com tudo isto que está a acontecer, e o que quero eu que os meus filhos adquiram e desenvolvam?

O impacto da quarentena nos mais novos!

Muito se tem falado no impacto imediato e a longo prazo que esta quarentena nos tem causado, seja a nível das empresas, do trabalho de forma geral, das escolas, das famílias e claro está da saúde entre muitos outros campos!!!

Mas e nas nossas crianças??  A reação imediata é que é péssimo, gera insegurança, medo, o isolamento traz irritabilidade, desinteresse, distanciamento do grupo de amigos, menos exercício físico… Mas das crianças e jovens que acompanho e que vou vivenciando pelos meus filhos e os seus amigos, é que basicamente a quarentena para eles é uma “seca”!

Claro que toda esta situação atinge os mais novos, mas o como, já depende em grande parte de nós adultos, é óbvio que esta nova realidade não é boa para ninguém, mas a forma como a encaramos a forma como decidimos vivê-la e como queremos que os nossos filhos a vivam está diretamente ligada à forma como nós pais, responsáveis ou cuidadores gerimos toda esta nova realidade.

O que tenho assistido é que eles reagem de uma forma muito mais tranquila a tudo isto, muito mais do que nós adultos. A verdade é que para eles a utilização de vídeo chamadas, aulas on-line, não é novidade, talvez antes os pais não deixassem estar tanto tempo em frente aos écrans e por isso agora nem é mau de todo!

Para muitos o facto de estarem mais tempo com os pais e poderem fazer mais atividades até tem sido benéfico. Têm experimentado coisas que nunca tinham tentado, uns fazem bolos ou até o jantar, jogos diferentes de tabuleiro, aulas de ginástica em família ou até meditação. As possibilidades são imensas e a oferta também.

Claro que em algumas situações as crianças estão com medo que um parente, nomeadamente os avós, adoeça, ou sentem-se inseguros de sair à rua, surgem questões sobre a morte e os medos associados, e naturalmente têm saudades da família que não vive com eles, dos amigos e de brincar livremente. Ou crianças em que os pais são profissionais de saúde e vivem mais de perto o risco. Tudo isto são realidades que acontecem em muitas casas, e nestas ainda é mais importante ajudar as crianças a perceber que sentimentos tudo isto gera, é importante fazê-los perceber que a única responsabilidade que devem ter é com as suas atitudes, ou seja o que podem eles fazer para se sentirem mais seguros, ou para terem atividades que gostam, o que depende apenas deles e que se fizerem pode melhorar a situação!

A forma de eles reagirem depende em grande parte da forma como os pais estão a reagir, eles vão-nos espelhar, modelar as nossas atitudes e aqui é fundamental estarmos atentos se o que dizemos é congruente com o que sentimos, eles pressentem quando não bate certo.

É importante que os pais sejam claros e não escondam informação, não quero com isto dizer bombardear os nossos filhos com os problemas, nada disso, mas sim explicar, adequando à idade de cada um, o que se está a passar e como nós, pais nos sentimos perante isso.

A forma como esta situação atinge as crianças depende em grande parte da forma como deixamos que ela nos afete e principalmente como vamos lidar com ela.

Eu acredito que em todas as situações há algo de bom que podemos retirar, há um desafio para enfrentar e não existe maneira melhor de ensinar os nossos filhos se não pelo exemplo.

Sendo assim que exemplo queremos ser para eles nesta situação de quarentena, que marca queremos deixar, que marca queremos com que eles fiquem?

Podemos aproveitar esta situação para os ajudar a lidar com a frustração, a criarem resiliência, a serem criativos e encontrarem novas formas de fazer as coisas e coisas novas para fazer, intensificar a união da família e a sua capacidade de se auto regularem.

Por isso sim, esta pode ser uma excelente oportunidade para fortalecer os mais novos para o futuro, pode e deve ser encarado de forma a retirarmos o maior partido do que se está a viver.

Qualquer pessoa cresce e aprende mais com os erros com a adversidade. Para que todo este sacrífico não seja em vão vamos olhar para o que é preciso mudar. E para o que cada um individualmente pode fazer, esse é um olhar que podemos ensinar os nossos filhos a ter, o olhar da responsabilidade perante como me quero sentir diante desta situação, da responsabilidade do que depende de mim para me sentir bem.

Para que as marcas de toda este panorama sejam o mais positivas possíveis e para que sirva para fortalecer para o futuro nós pais, podemos para além de dar o exemplo usar algumas estratégias simples:

Primeiro de tudo ajude as suas crianças a expressarem-se sobre o que sentem, sem minimizar, sem ridicularizar acolhendo e aceitando. Este momento pode ser mais difícil do que parece pois não estamos habituados a expressar os nossos sentimentos, normalmente isso é visto como uma fraqueza, mas é um passo fundamental para podermos agir na direção do que queremos. Também nós pais estamos habituados a tentar resolver por eles, a dar-lhes uma solução de imediato, infelizmente esta situação não tem uma solução e muito menos imediata, vamos permitir que cada criança encontre a sua forma de lidar com o problema, que ela própria diga as estratégias que serão úteis.

Podemos fazê-lo estimulando a que eles encontrem dentro deles as respostas, ou seja perguntar em vez de afirmar:

Como é que te queres sentir?

O que podes fazer para te sentires dessa forma?

 O que depende só de ti e que se fizesses iria fazer toda a diferença?

Que mais poderias propor?

Como vais organizar os teus estudos?

Como poderás ajudar nas tarefas da casa?

O que gostarias de fazer de diferente?

Ou seja quando perguntamos aos mais novos o como, primeiro de tudo estamos a passar uma mensagem, que não é expressa, mas é entendida por eles da seguinte forma:

“Eu acredito em ti e por isso te pergunto e peço a tua contribuição, em vez de mandar e dizer-te o que deves fazer”

Como tal estamos a estimular a autonomia, a criatividade, e quando permitimos que eles coloquem em ação o que propuseram isso gera compromisso, confiança e auto estima.

Perante as respostas dos mais novos, valorize, valorize, valorize, mesmo que não seja possível fazer, mas o facto de se expressar e contribuir já é um passo enorme e de verdade eles trazem soluções incríveis.

Sendo viável para toda a família, implemente a ideia do seu filho, quando são eles a dar a resposta o nível de compromisso e empenho é enorme, gera sentido de responsabilidade porque sentem que não podem desiludir, afinal de contas foram eles que propuseram. E sendo bem sucedidos a auto estima aumenta, assim como a confiança neles próprios e gera a ideia de que são capazes.

Esta estratégia é válida para tudo, para criar as novas rotinas, para os novos métodos de estudo, para estabelecer limites e perceber que os pais também tem de continuar a trabalhar apesar de estarem em casa, para as tarefas de casa, para as relações entre irmãos, e principalmente para aprenderem a lidar com problemas tão graves e inesperados como a situação atual. Para que percebam que podem ter medo, podem estar assustados, podem até estar fartos e irritados de estar em casa, mas que só depende deles mudarem as suas atitudes para terem resultados diferentes para sentirem de maneira diferente, independentemente do contexto, independentemente da idade. Sim as crianças já tem capacidade de alcançarem as suas próprias soluções , só precisam que acreditem nelas!

Apoie os mais novos através do exemplo, através das suas atitudes, sem esconder, sem mentir, com sinceridade e assertividade e dê espaço para que também eles contribuam para o bem estar de toda a família.

Mas afinal o que é realmente o Dia do Pai?

Por vezes esquecemos-nos da verdadeira essência que deveria ter este dia, o de celebração pela figura paternal, por tudo o que ela nos entrega, pela protecção, pelo carinho, pelo amor incondicional, pela segurança, pelas regras e limites, por nos mostrar o caminho e ao mesmo tempo deixar-nos ir por onde queremos.

É difícil ser pai nos dias de hoje?! Não sei… há mais desafios, situações desconhecidas, situações novas que surgem todos os dias, uma maior incerteza quanto ao futuro deles.

Por outro lado há uma relação mais próxima, uma cumplicidade maior, uma demonstração maior desse amor.

Falo a partir da minha posição de mãe, em que acredito que o papel de pai é enorme, não cabe numa definição, ele tem lugar em todos os abraços dados, nos sermões intermináveis, cabe nos beijos e nos olhares de desaprovação, tem lugar no colo e nas obrigações, existe num acordar com pequeno almoço a cheirar a panquecas e nos conselhos para a vida.

O Pai é o porto seguro, é a rede de segurança que nos deixa sonhar, que acredita verdadeiramente no que cada filho pode dar. Que está lá a aplaudir de pé e que nos conforta quando caímos.

Esta é a minha realidade com o meu pai, esta é a realidade que vejo todos os dias a acontecer com o Pai das minhas filhas, por isso estou grata hoje Dia do Pai e todos os dias!

Feliz dia a todos os Pais.